A Vida na Cidade

Quanto vale o tempo?

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  • 14 de dezembro de 2018

Alguns estudiosos defendem que o que diferencia o ser humano das outras espécies é a nossa capacidade de linguagem e abstração. De acordo com eles, é essa habilidade que nos dá uma vantagem competitiva dentro do reino animal, pois nos permite cooperar em grupos compostos por milhares de indivíduos. E é através da cooperação que conseguimos concretizar trabalhos complexos, impensáveis às outras espécies, desde a construção de monumentos como o Maracanã, até a mudança do sistema agrícola para industrial ou até mesmo a globalização.

Mas o que isso significa?

Basicamente, conseguimos migrar para o topo da cadeia animal devido à nossa capacidade específica de comunicação. Somos seres altamente sociáveis e dependemos de outros humanos para sobreviver no mundo. Alguns estudiosos explicam que junto à necessidade de nos alimentarmos, dormirmos e nos sentirmos seguros, nós possuímos a necessidade de pertencer, isso significa que fazer parte de um grupo é uma de nossas necessidades primárias.

Então, vale a reflexão. Se nós dependemos de outros seres humanos para estarmos em nossa melhor forma, não deveríamos nos empenhar para estabelecer relações positivas com as outras pessoas? Entender que essa necessidade é recíproca não poderia nos tornar mais abertos a interações de afeto e cuidado?

Muito rápido, mas muito devagar

Apesar disso, vivemos em um mundo em que as interações, ao mesmo passo que se intensificaram, também se distanciaram. Hoje, a enxurrada de informação é tão constante que a atenção se tornou a moeda mais cara. Para se ter uma noção, um estudo da Microsoft indicou que, hoje, nossa capacidade de atenção é menor do que de um peixe dourado, menos de 8 segundos. E, em contradição, o mundo analógico, despreparado para densidade populacional dos grandes centros, segue a passos ainda mais lentos do que antes. Soma-se a urgência do digital com a ineficiência do mundo real e chegamos a um aumento exponencial de indivíduos ansiosos.

Com tantas experiências, oportunidades e novidades a todo momento, o que nos mais faz falta é tempo. Mas como multiplicar o tempo? São diversas as literaturas que abordam a frustração em relação a escassez do tempo. Mas e se conseguíssemos aproveitar melhor as 24 horas do dia? Poderíamos transformar o tempo desperdiçado e usá-lo para fazer algo que queremos? Em quais situações nós mais gastamos tempo desnecessariamente?

Driblando o tempo

Se a desordem e a informação são ainda maiores nas grandes cidades, é nesses espaços que o tempo é mais valioso. Você sabia que só no trânsito, perdemos até 25 dias por ano? Isso quer dizer que, em média, são 5 anos ativos desperdiçados de nossas vidas apenas por causa do deslocamento. Já pensou em tudo que é possível fazer neste tempo? Já pensou em quanta coisa mudou nos últimos 5 anos? O que você fazia, quem você era no fim de 2013?

Ainda não conseguimos expandir o tempo, mas se pudermos economizar o desperdício e curtir mais o caminho, é possível que haja um controle maior da epidemia de ansiedade nos tempos modernos.

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